sexta-feira, 18 de abril de 2008

Contrato de licença de utilização [ou apenas um talvez]

Acordei.
Mesmo de olhos fechados
senti-me acordar para o pensamento.
Eram horas de pôr as ideias em ordem,
eram horas de não deixar o tempo passar
por mim com tamanho pessimismo.
Chorei,
como que a querer lavar as convicções
que até ontem eram uma verdadeira razão
para caminhar com a cabeça erguida.
Escolhi, a dedo, cada assunto,
qual a vaidade nos leva a escolher,
pela manhã, uma nova vestimenta.
Senti-me bem. Senti-me seleccionador.
Senti-me com o poder de comando.
Mas agora, a esta distância da manhã,
com um dia repleto de chatices,
sinto-me impotente.
Aquela sensação de que nada nos corre bem,
Aquela sensação de que não há nada a fazer,
Aquela sensação de que todas as portas se fecharam.
Mas é apenas uma sensação.
Isto me diz a minha razão.
E é a ela a quem dou mais ouvidos.
É a ela a quem entrego o comando do meu corpo.
Já perdi. Já ganhei. E acho que os empates
não podem existir quando somos diferentes.
Não cultivo. Não planto. Não semeio.
O que colho é fruto de algo que me deixaram colher.
Talvez ninguém vá ler isto.
Talvez eu não tenha colocado a advertência inicial
que iria atrair até os mais descrentes.
“para maiores de 18”,
“não aconselhável a pessoas sensíveis”,
aqui não dariam resultado.
Nem mesmo o “para quem não tem dúvidas”.
Aumentar a curiosidade, tornar a leitura
desta minha divagação
apetecível e quase obrigatória!
Como pretendo que apenas os visados,
os seleccionados a dedo,
tomem parte de uma pouco de mim,
aqui fica o contrato. Não o assinem.
Rasguem-no! E sejam felizes
com as janelas que se abrem!


Primeiro Outorgante: SOU EU!
Segundo Outorgante: seleccionado a dedo!

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