sábado, 5 de julho de 2008

Cansaço

O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço...

Álvaro de Campos

3 comentários:

Loyola disse...

caramba fiquei cansada de tanto cansaço! :P
agora falando a sério, suponho que quando somos mais realistas e pés assentes no chão e sabemos o que é preciso lutar cansamo-nos mais do que quando somos meros sonhadores à espera daquele click...

Cronos disse...

Concordo plenamente contigo! Na verdade, a realidade magoa-nos! Mas, infelizmente, é nela que temos de viver, é com ela que temo de lidar! o Que noa vale é que há sempre um pequeno momento em que podemos descansar.

Ninetta disse...

e por aqui tb se dorme na forma LOL

Não! Aqui sonha-se..... Grande....